sexta-feira, 30 de novembro de 2007
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Passarela - Para tia Leica (Priscilla)
Passarela
As linhas, essas aves altaneiras
Voam livres e ligeiras
No infinito e brando céu
Buscam forma e beleza
Na singela natureza
D´alva folha de papel.
Sobre a pauta baila o traço
Suavemente no compasso
Do trilado jubiloso
Enlaçado à harmonia
Trilha a via que lhe guia
Ao desenho virtuoso.
Sobre as ondas dessas riscas
Raia vívida aquarela
Vai-se cândida, tranqüila
No balanço d´água oscila
Ondulando airosas cores
Nos mares da passarela.
Quimeras mil, soar do artista
Suas linhas, seus contornos
São flores, são adornos
Oh! Quão belos, primorosos,
Tão festivos e ditosos
São os traços do estilista!
Priscilla Insauralde
As linhas, essas aves altaneiras
Voam livres e ligeiras
No infinito e brando céu
Buscam forma e beleza
Na singela natureza
D´alva folha de papel.
Sobre a pauta baila o traço
Suavemente no compasso
Do trilado jubiloso
Enlaçado à harmonia
Trilha a via que lhe guia
Ao desenho virtuoso.
Sobre as ondas dessas riscas
Raia vívida aquarela
Vai-se cândida, tranqüila
No balanço d´água oscila
Ondulando airosas cores
Nos mares da passarela.
Quimeras mil, soar do artista
Suas linhas, seus contornos
São flores, são adornos
Oh! Quão belos, primorosos,
Tão festivos e ditosos
São os traços do estilista!
Priscilla Insauralde
Da Felicidade (Mário Quintana)
Da Felicidade
Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda a parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!
Mário Quintana
Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda a parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!
Mário Quintana
Poeminha do contra (Mário Quintana)
Poeminha do contra
Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mário Quintana
Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mário Quintana
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Recordo Ainda (Mário Quintana)
RECORDO AINDA
Recordo ainda, e nada mais me importa,
Daqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam sempre de lembrança
Algum brinquedo novo à minha porta.
Mas veio um vento de desesperança,
Soprando cinzas pela noite morta,
E pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança.
Estrada afora após segui, mas ai
Embora idade e senso eu aparente,
Não se iluda com o velho que aqui vai,
Quero meus brinquedos novamente.
Sou um pobre menino, acreditai,
Que um dia envelheceu de repente.
Mário Quintana
Recordo ainda, e nada mais me importa,
Daqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam sempre de lembrança
Algum brinquedo novo à minha porta.
Mas veio um vento de desesperança,
Soprando cinzas pela noite morta,
E pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança.
Estrada afora após segui, mas ai
Embora idade e senso eu aparente,
Não se iluda com o velho que aqui vai,
Quero meus brinquedos novamente.
Sou um pobre menino, acreditai,
Que um dia envelheceu de repente.
Mário Quintana
Conselhos de Nizan Guanaes
TEXTO DE NIZAN GUANAES
(paraninfo de uma turma de ADM da Unifacs)
(paraninfo de uma turma de ADM da Unifacs)
Dizem que conselho só se dá a quem pede. E se vocês me convidaram para paraninfo sou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns. Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns que julgo valiosos.
Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma. A propósito disso, lembro-me uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo. E ela responde: Eu também não, meu filho". Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.
Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem como bichos e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega a viver como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassú. Que era ficção, mas hoje é realidade, na pessoa de Geraldo Bulhões, Denilma e Rosângela, sua concubina.
Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudicéia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tendo consciência de que, cada homem foi feito, para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não sente-se e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: Eu não disse? Eu sabia! Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa. Chega dos poetas não publicados, empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansear, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.
Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios. O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta. Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho. Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama sucesso.
Nizan Guanaes
domingo, 25 de novembro de 2007
sábado, 24 de novembro de 2007
Deus (Casimiro de Abreu)

Deus
Eu me lembro! Eu me lembro! - Era pequeno e brincava na praia o mar bramia, e erguendo o dorso ativo sacudia a branca espuma para o céu sereno.
E eu disse à minha mãe nesse momento: "Que dura orquestra! Que furor insano! Que pode haver maior do que o oceano ou que seja mais forte do que o vento?"
Minha mãe a sorrir, olhou pros céus e respondeu - Um ser que nós não vemos, é maior do que o mar que nós tememos, mais forte que o tufão meu filho, é Deus!
(Casimiro de Abreu)
Eu me lembro! Eu me lembro! - Era pequeno e brincava na praia o mar bramia, e erguendo o dorso ativo sacudia a branca espuma para o céu sereno.
E eu disse à minha mãe nesse momento: "Que dura orquestra! Que furor insano! Que pode haver maior do que o oceano ou que seja mais forte do que o vento?"
Minha mãe a sorrir, olhou pros céus e respondeu - Um ser que nós não vemos, é maior do que o mar que nós tememos, mais forte que o tufão meu filho, é Deus!
(Casimiro de Abreu)
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