quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Recordo Ainda (Mário Quintana)

RECORDO AINDA

Recordo ainda, e nada mais me importa,
Daqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam sempre de lembrança
Algum brinquedo novo à minha porta.

Mas veio um vento de desesperança,
Soprando cinzas pela noite morta,
E pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança.

Estrada afora após segui, mas ai
Embora idade e senso eu aparente,
Não se iluda com o velho que aqui vai,
Quero meus brinquedos novamente.
Sou um pobre menino, acreditai,
Que um dia envelheceu de repente.

Mário Quintana

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